Robert Tally

Tally-Spring

Robert Tally

Robert T. Tally Jr. é Professor Associado da área de Estudos Ingleses na Texas State University, onde ensina literatura americana e mundial, crítica e teoria literárias. Entre os seus livros encontram-se Fredric Jameson: The Project of Dialectical Criticism (2014); Poe and the Subversion of American Literature (2014); Utopia in the Age of Globalization (2013); Spatiality (2013); Kurt Vonnegut and the American Novel (2011); Melville, Mapping, and Globalization (2009); e, como organizador, The Routledge Handbook of Literature and Space (2017); Ecocriticism and Geocriticism (com Christine Battista, 2016); The Geocritical Legacies of Edward W. Said (2015); Literary Cartographies (2014); Kurt Vonnegut: Critical Insights (2012); e Geocritical Explorations (2011). Tradutor da obra de Bertrand Westphal Geocriticism (2011), Tally é ainda o director da colecção Geocriticism and Spatial Literary Studies da editor Palgrave Macmillan.

Título: O Imperativo Cartográfico

Conta-se a história de uma companhia de soldados perdidos nos Alpes durante uma forte tempestade de neve. Um dos soldados tem um mapa, que usam para encontrar o caminho de volta para o acampamento, mas quando o comandante pede para ver esse artefacto salvador verificam que se trata de um mapa dos Pirinéus, não dos Alpes! A lição pode ser que mesmo falsas partidas podem conduzir a lugares certos, ou, nas palavras de Miroslav Holub, que “a vida segue o seu caminho de uma maneira ou de outra”; mas outra lição é que temos de possuir um mapa, qualquer mapa, para navegar, e até para imaginar, o nosso mundo. Na nossa condição fundamentalmente topofrénica, em que a consciência do lugar nos assombra de forma inescapável, ao mesmo tempo que um sentido reconfortante de lugar se torna mais difícil de atingir, o imperativo cartográfico domina quase toda a nossa actividade imaginativa. Fredric Jameson, por exemplo, sugeriu que, seja qual for a nossa opinião acerca da cartografia cognitiva como conceito, na prática praticamo-la “a toda o instante sem termos consciência do processo”. Estamos sempre a cartografar e a recartografar o mundo, o nosso lugar nele e outros lugares em relação com esses lugares. Ao fazê-lo, infundimos esses lugares de sentido, marcando-os como loci da interpretação, o tradicional baluarte dos Estudos Literários. Na literatura, as noções de espaço, lugar e cartografia são cruciais para a experiência poética ou narrativa, e a imaginação espacial informa todos os textos literários, tanto da perspectiva do escritor enquanto cartógrafo literário como da do leitor que decifra os códigos e as figuras do mapa literário. Nesta conferência, Robert T. Tally Jr. irá discutir as maneiras pelas quais uma actividade de cartografia figural é indispensável a qualquer projecto literário e defenderá que a literatura e os Estudos Literários oferecem lugares privilegiados para consolidar e expandir a imaginação espacial, que por seu turno se torna mais valiosa ao dar forma aos espaços desorientadores e fluidos do século XXI.