Álvaro Domingues

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Álvaro Domingues

Álvaro Domingues (1959), é Geógrafo, doutorado em Geografia Humana e Professor Associado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, FAUP nos cursos de mestrado integrado e doutoramento. Colaborador da Porto 2001, Capital Europeia da Cultura, 1999-2000. Investigador do CEAU-FAUP, Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo da FAUP. Professor do curso de doutoramento Arquitetura dos Territórios Metropolitanos Contemporânes do ISCTE, Lisboa, e do Mestrado em Arquitectura da Universidade do Minho. Entre outras obras é autor de Território Casa Comum (com Nuno Travasso, FAUP, Porto), A Rua da Estrada (Dafne, Porto), Vida no Campo (Dafne, Porto) e Políticas Urbanas I e II (com Nuno Portas e João Cabral, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa), Cidade e Democracia (ed.Argumentum, Lisboa)

Título: Geografia, literatura e conhecimento

Resumo: Quando comecei a aprender geografia, os suportes principais de conhecimento eram textos e mapas. Não sabia se isso era o mesmo que literatura e cartografia. Parece que sim. Entre outras obras, lia-se então Portugal, o Mediterrânio e o Atlântico de Orlando Ribeiro, uma escrita que, sem abdicar do rigor dos conteúdos, é profundamente literária por possibilitar que as coisas tenham toda a realidade que a ficção souber construir. Nos mapas havia poesia. Tinha a certeza. Dizia-se também que o objecto de estudo da geografia eram as paisagens, territórios em permanente construção social onde se liam as relações com o meio físico, a cor da terra. Pintura, pensava eu, como os mapas. Afinal dei comigo a ler literatura de viagem a tentar captar representações e imaginários sobre regiões e, outra vez, percebi que a Seara de Vento era um livro sobre a paisagem política do Alentejo. Muito tempo depois, escrevia, fotografava e socorria-me de textos literários para explicar a Rua da Estrada ou a Vida no Campo. Mais do que taxionomias e compartimentos disciplinares, é de construir e comunicar conhecimento que se trata. É isso. Hoje, os técnicos da cientifização de tudo, acham que a literatura os distrai. Tinha um canário que pensava o mesmo; depois deu em cantar e curou-se.